A análise dos celulares e notebooks apreendidos pela Polícia Civil (PCDF) nas casas dos técnicos investigados pela morte de três pacientes...
A análise dos celulares e notebooks apreendidos pela Polícia Civil (PCDF) nas casas dos técnicos investigados pela morte de três pacientes internados na UTI do Hospital Anchieta, em Taguatinga, é considerada ponto-chave da investigação. Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, 24 anos; Amanda Rodrigues de Sousa, 28; e Marcela Camilly Alves da Silva, 22, estão presos temporariamente. Nos próximos dias, investigadores da Coordenação de Homicídios e Proteção à Pessoa (CHPP) devem concluir o inquérito e instaurar um novo procedimento para apurar a possível ocorrência de outros homicídios.
O material eletrônico está em análise no Instituto de Criminalística (IC). São vistoriados os celulares e computadores dos três técnicos, que foram apreendidos em Taguatinga, Brazlândia e Águas Lindas de Goiás, no Entorno do DF. Segundo o delegado Maurício Iacozzilli, da CHPP, o objetivo é descobrir se há elementos que comprovem a motivação do crime. "A análise pode determinar se há ou não mais vítimas, a partir da conversa entre os autores, e a possível motivação", pontuou.
Durante as apurações, foi cogitada a possibilidade da motivação do crime estar associada a um esquema ligado a funerárias. O delegado descarta a hipótese: "Cada vítima foi encaminhada a uma funerária diferente. Não há nada comprovado nesse sentido".
Versões
Marcos foi preso em casa, em Águas Lindas (GO), em 19 de novembro de 2025, dois dias depois de matar dois pacientes. Na delegacia, apresentou frieza e deu três versões contraditórias.
No primeiro instante, o acusou negou qualquer envolvimento. Alegou que apenas seguia as orientações dadas pelos médicos, especialmente quanto às dosagens. Marcos, depois, mudou a versão. Confessou o crime e deu como justificativa o tumulto do plantão. "Ele disse que estava estressado, que iria liberar todos e, por isso, tomou tal atitude", afirmou o delegado.
Por último, Marcos contou outra história. Novamente admitiu a aplicação das substâncias, mas atribuiu o ato como forma de "alívio" ao sofrimento das vítimas. Amanda, por outro lado, negou os fatos e afirmou achar que Marcos estava apenas aplicando medicamentos corriqueiros, apesar de as imagens mostrarem ela vigiando a porta enquanto o suspeito injetava as substâncias nas vítimas. Confrontada, ela manteve-se em silêncio e admitiu que mantinha um relacionamento extraconjugal com Marcos.
Ambos são casados com outras pessoas, mas mantinham uma relação amorosa. Amanda trabalhava em outro setor do hospital, e Marcos, na chamada "ilha 3" junto à Marcela, que era supervisionada por ele.
A PCDF deve concluir o inquérito dos três homicídios nos próximos dias e enviar o documento ao Ministério Público (MPDFT). Outro procedimento será instaurado, informou o delegado, para apurar possíveis outras mortes semelhantes em hospitais que os acusados já trabalharam. Marcos e Amanda, por exemplo, estão na profissão há cinco anos e passaram por hospitais públicos e particulares da capital. "Esse trajeto profissional será investigado, bem como cada morte ocorrida no plantão deles", frisou Iacozzilli. No Anchieta, Marcos tirava plantões dia sim e não, das 7h às 19h.
Com informações do CB



